Diante da lei municipal de São Paulo que proíbe o fornecimento de utensílios plásticos (copos, facas, garfos, pratos, mexedores de bebida) em estabelecimentos comerciais da cidade (não sendo válida para supermercados), sancionada no último dia 13 de janeiro pelo prefeito Bruno Covas, a Good Pack afirma ser defensora do cumprimento da lei e tomará medidas sobre os deveres e direitos vigentes no País.

Acreditamos que a vilanização e o banimento de materiais plásticos não constituem a maneira ideal de resolver os problemas causados pela má gestão de resíduos sólidos no Brasil e suas consequências para a natureza. A própria ONU Meio Ambiente sugere que, caso não haja avaliações prévias, o banimento pode não ser a melhor solução para a questão. Na forma que tem sido feito, não gera no consumidor a consciência do consumo e o incentivo ao descarte correto.
A melhor forma de lidar com o tema é por meio de uma visão sistêmica e de um diálogo objetivo, debatendo o consumo consciente e a economia circular, responsabilizando todos os atores envolvidos: Poder Público, indústria e sociedade, como prevê a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
Leis de proibição trazem insegurança jurídica, mexem com a competitividade e o planejamento financeiro das empresas, parceiros e clientes, causando impacto nos investimentos, na geração de empregos e até mesmo na manutenção da atividade industrial. Enxergamos como alternativa a regulamentação da disponibilidade de produtos em estabelecimentos comerciais, com legislações que proporcionem tempo hábil para as mudanças e entendam o planejamento de diversos setores que tem a mesma cultura de praticidade a décadas, afinal não é só estabelecer, é preciso entender todo um mercado que movimenta parte da economia do País. 

O impacto

De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pelo IBGE, o País produziu 6,2 milhões de toneladas de produtos plásticos em 2018. Cerca de 65% desses produtos possuem ciclo de vida médio e longo e são aplicados em diversos setores, como construção civil, máquinas e equipamentos, eletrônicos, agricultura e têxteis. Apenas 0,03% da produção é referente a canudos; e 1,7%, a descartáveis. O problema mais um vez aparece nas políticas públicas em relação a descarte correto e reciclagem.
Segundo o Banco Mundial aponta em seu relatório What a Waste 2.0 que quando catadores são devidamente apoiados e organizados, a reciclagem informal pode criar empregos, aumentar a competitividade industrial local, reduzir a pobreza e diminuir gastos municipais.

Mais que leis, é importante mudar a cultura

Há décadas reconhecido como um material revolucionário, o plástico traz inovações de inegável importância para o desenvolvimento da sociedade. Leveza, versatilidade, resistência, acessibilidade, assepsia e durabilidade são algumas de suas qualidades; e sua capacidade de ser reciclado o torna compatível com o atual modelo de consumo sustentável.
Porém há um grande desafio para a sociedade que é fazer com que todo esse material chegue à indústria recicladora, assim como tornar o valor do produto reciclado reconhecido e incentivado. Segundo o último dado disponível, 25,8% das embalagens plásticas e equiparáveis pós-consumo foram recicladas no Brasil em 2016, o equivalente à reciclagem de 550 mil toneladas de material.
A indústria de transformação e reciclagem de material plástico está disposta a contribuir para a construção de soluções em conjunto. Por sua parte, já avança rumo às melhores práticas e tem se dedicado a buscar uma solução prática para a questão do lixo na natureza, por meio da efetiva implementação da economia circular em sua cadeia produtiva. 

As embalagens biodegradáveis

Já existem opções de embalagens biodegradáveis no mercado, porém o custo ainda é uma barreira que o consumidor encontra na hora de mudar por completo o uso de embalagens no seu estabelecimento. A escala de produção de embalagens plásticas é infinitamente maior do que a produção das embalagens biodegradáveis, como de bagaço de cana-de-açúcar por exemplo, fazendo com que seu preço seja bem mais acessível para qualquer comércio.
As embalagens desenvolvidas com matérias-prima sustentáveis, é uma tendencia na europa e EUA e a Good Pack acredita que será uma realidade acessível também no Brasil. A realidade aqui no país ainda é o plástico, mas com otimismo e um trabalho sério da sociedade como um todo, vamos fazer das embalagens sustentáveis uma opção acessível ao mercado brasileiro em geral.

Fontes:

https://nacoesunidas.org/onu-meio-ambiente-aponta-lacunas-na-reciclagem-global-de-plastico/
http://www.abiplast.org.br/noticias/lei-de-proibicao-de-fornecimento-de-produtos-plasticos-posicionamento-abiplast/
http://datatopics.worldbank.org/what-a-waste/